Quem trabalha em comunicação conhece bem esta realidade: as mulheres representam a maior parte deste setor. Estão presentes em todas as etapas do trabalho, lideram projetos, gerem equipas, garantem rigor, asseguram prazos exigentes e fazem-no com uma combinação sólida de conhecimento, preparação e capacidade de antecipação. Esta presença expressiva não é acaso. Reflete competências reais e consistentes.
As mulheres analisam contextos complexos, entendem pessoas, articulam mensagens estratégicas e gerem situações críticas com precisão. Isto não é narrativa, é observação diária. É ver equipas a funcionar com eficácia porque há mulheres a liderar a execução e a assegurar qualidade.
No entanto, quando olhamos para os níveis de decisão, o cenário já não reflete esta maioria. E é justamente aqui que surge a grande reflexão do Dia Internacional da Mulher. Alcançámos voz, espaço e reconhecimento. Demonstrámos que as equipas equilibradas obtêm melhores resultados e provámos que a nossa abordagem à comunicação acrescenta profundidade estratégica, visão e consistência.
Hoje, ninguém se surpreende com a excelência de uma mulher na sua função. Esse progresso é evidente, mas continua a ser necessário transformar a presença em liderança. É preciso que a representatividade operacional se traduza também em representatividade nas decisões. A liderança feminina não é exceção; é competência.
Mais do que discursos sobre empoderamento, o que realmente importa são estruturas claras de progressão, estilos de liderança diversos e ambientes onde a ambição feminina é valorizada como motor de crescimento. A equidade não depende de concessões, mas de caminhos abertos e oportunidades reais.
Equipas lideradas por mulheres podem revelar-se mais colaborativas, mais ágeis na resolução de problemas e mais atentas ao impacto humano das escolhas. Isto não é uma comparação entre géneros; é o reconhecimento de que a diversidade de perspetivas fortalece a criatividade e a inovação, fundamentos essenciais na comunicação.
Mas ainda há muito que podemos alcançar. Podemos construir equipas onde a liderança se mede pela visão, empresas onde a progressão das mulheres é uma consequência natural do mérito e uma indústria onde a pluralidade se reflete também em quem decide.
O Dia Internacional da Mulher não existe para sublinhar fragilidades, mas para reforçar potencial. Um potencial que já demonstrámos inúmeras vezes, todos os dias, em cada projeto em que deixamos a nossa marca.
O que falta? Abrir portas, ocupar espaço e transformar consistência em influência.
O que já alcançámos? Reconhecimento.
O que podemos alcançar? Tudo o que a nossa competência permitir.
Na comunicação, as mulheres não são o futuro. São o presente e uma força essencial no que construímos daqui para a frente.
Joana Borges
Head of Healthcare Communication na Guess What
