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8 em cada 10 mulheres portuguesas já foram vítimas de assédio em locais públicos

Um novo estudo internacional conduzido pela Ipsos, a pedido da L’Oréal Paris, revela que 80% das mulheres em Portugal já foram alvo de assédio em espaços públicos. Metade admite ter recusado oportunidades sociais, profissionais ou académicas por medo, e mais de metade relata impacto direto na saúde mental.

Se lhe perguntarmos se alguma vez foi vítima de assédio num local público, é provável que responda “sim”. E se já sentiu receio de ir para casa sozinha à noite, a resposta talvez seja a mesma. Em Portugal, 80% das mulheres afirmam ter sido alvo de assédio em espaços públicos. Metade recusou oportunidades sociais, profissionais ou académicas por medo.

Os dados fazem parte de um novo estudo internacional conduzido pela Ipsos, por iniciativa da L’Oréal Paris. Realizado pela primeira vez em Portugal, envolveu mil entrevistas a mulheres e homens com mais de 18 anos. As conclusões são claras: o assédio sexual é a principal preocupação para metade das mulheres portuguesas, à frente da desigualdade salarial (39%), da violência sexual (37%) e da violência doméstica (35%).

Mais do que percentagens, os números revelam um impacto profundo na liberdade, nas escolhas e na qualidade de vida das mulheres. O assédio em espaços públicos assume-se, assim, como um problema estrutural, com consequências sociais e psicológicas graves.

Medo que condiciona vidas

Por detrás dos números está uma realidade silenciosa: decisões condicionadas pelo medo. O assédio em locais públicos deixa, assim, de ser um episódio isolado para se tornar um fator que molda comportamentos e limita trajetórias. O estudo mostra que 43% das mulheres já recusaram um evento social por receio de assédio; 73% evitam sair muito tarde; 74% evitam certos locais; 69% tentam não andar sozinhas; 21% perderam oportunidades de trabalho; e 20% viram-se privadas de oportunidades académicas.

Uma geração mais exposta

Embora mulheres de todas as faixas etárias sofram deste problema, as com menos de 35 anos são as mais expostas a esta situação, demonstrando um impacto geracional, que as leva a viver numa constante adaptação do seu dia a dia.

83% das mulheres portuguesas afirmam que o assédio em locais públicos tem impacto negativo na sua vida, nomeadamente na saúde mental e na vida social, um valor acima da média global. Além disso, 54% referem consequências diretas na saúde mental, como ansiedade e medo constante.

Intervir faz diferença

A maioria dos portugueses (89%) diz que interviria diante de uma situação de assédio. Mas a prática não acompanha a intenção: dos 74% que já testemunharam um episódio, apenas 63% reagiram. A falta de formação é a principal barreira para 90% dos inquiridos, a que se junta o medo do agressor (85%) e a dificuldade em identificar um caso de assédio (64%). Ainda assim, quando há intervenção, a situação melhora em 85% dos casos.

Capacitar para agir

Num cenário onde o medo paralisa, a formação surge como uma oportunidade concreta de mudança. O programa de formação Stand Up contra o assédio em locais públicos, promovido pela L’Oréal Paris em parceria com a ONG Right To Be, oferece ferramentas práticas e acessíveis, que permitem intervir de forma segura, seja apoiando a vítima, distraindo o agressor ou envolvendo terceiros.

O programa de formação é especialmente relevante para os homens, que demonstram vontade de ajudar, mas enfrentam dúvidas na identificação e intervenção em situações reais. A formação pode ser utilizada como “manual de instruções”, incentivando-os a serem aliados ativos sem riscos desnecessários.

A metodologia dos 5D’sDistrair, Delegar, Documentar, Direcionar e Dialogar — é uma estratégia simples e clara para agir: desde criar uma distração para interromper a situação, pedir ajuda a outras pessoas, registar o ocorrido, intervir diretamente quando seguro, ou dialogar com a vítima ou com outras pessoas envolvidas de forma a oferecer apoio e contribuir para a resolução da situação.

Esta formação tem como objetivo não só sensibilizar para a dimensão do problema, mas também transformar comportamentos através da educação. De forma acessível e de curta duração, foi desenvolvida para qualquer pessoa, independentemente da sua experiência prévia, permitindo reconhecer situações de assédio e agir de forma informada e segura.

Pode fazer a formação em standup-international.com.

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