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“Ler é o Melhor Remédio”: cinco dicas para explorar livros com crianças

No âmbito do Dia Internacional do Livro Infantil (2 de abril), uma data que relembra a importância da leitura no desenvolvimento das crianças, Diana Moreira partilha cinco dicas práticas e terapêuticas para explorar os livros com os mais pequenos.

Num contexto em que cada vez mais famílias procuram compreender como apoiar o desenvolvimento das crianças, a leitura surge como uma das estratégias mais simples — e, ao mesmo tempo, mais eficazes — para estimular a linguagem. Para a terapeuta da fala Diana Moreira, mais do que um momento lúdico, a leitura partilhada, desde os primeiros anos de vida, assume um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, da comunicação e da relação entre pais e filhos.

“A leitura não começa quando a criança aprende a ler. Começa muito antes, quando escuta histórias, observa imagens, aponta, pergunta e interage com o adulto. Desde os primeiros meses de vida, o contacto com livros permite à criança ouvir novas palavras, desenvolver o vocabulário, compreender estruturas linguísticas e fortalecer a atenção conjunta, uma competência essencial para a comunicação”, revela a especialista.

Diana Moreira, terapeuta da fala

Mas há um elemento, segundo Diana, que faz toda a diferença: a relação. É na proximidade, no colo, na voz do adulto e no tempo partilhado que a leitura ganha verdadeiro significado. Esses momentos não são apenas sobre histórias, são sobre vínculo emocional, segurança e conexão, pilares fundamentais para que a criança se sinta disponível para comunicar, explorar e aprender.

Neste contexto, a leitura em voz alta assume um papel central e é muito mais do que contar uma história. É criar atenção conjunta, estimular a compreensão verbal, enriquecer o vocabulário, fortalecer a linguagem oral e preparar o caminho para a leitura e a escrita.

Utilizada diariamente na terapia da fala como uma ferramenta poderosa, funcional e cheia de significado, em casa, quando feita com presença, intenção e afeto, transforma-se num prolongamento natural do trabalho terapêutico.

“Porque a linguagem não se ensina apenas; constrói-se na relação. Na troca de olhares, nas perguntas, nas pausas, nas respostas e nas emoções partilhadas. A linguagem nasce na relação. Aprende-se na interação. Desenvolve-se com tempo, voz e afeto”, reforça Diana.

É neste enquadramento que surge o projeto “Ler é o Melhor Remédio”, desenvolvido pela terapeuta da fala, que leva a leitura a contextos educativos e terapêuticos, promovendo o livro como uma ferramenta de desenvolvimento global da criança: “Mais do que ler uma história, o projeto valoriza a exploração ativa da narrativa. Cada livro é trabalhado de forma intencional: observam-se imagens, antecipam-se acontecimentos, fazem-se perguntas, repetem-se palavras-chave, incentivam-se respostas e promove-se a participação da criança. A história deixa de ser apenas ouvida — passa a ser vivida, construída e partilhada”, refere.

Segundo Diana, este processo permite trabalhar, de forma integrada, múltiplas competências: vocabulário, compreensão verbal, estruturação frásica, atenção, memória, narrativa e até competências emocionais. A criança aprende a organizar ideias, a compreender sequências e a expressar-se com mais clareza.

Em consulta, um dos aspetos frequentemente questionados pelas famílias é a necessidade de repetir a mesma história várias vezes. No entanto, essa repetição não só é natural como é altamente benéfica: “Quando a criança pede para ouvir a mesma história ‘outra vez’, está, na verdade, a consolidar aprendizagens. A repetição permite-lhe antecipar o que vai acontecer, reconhecer palavras, compreender melhor a estrutura da narrativa e ganhar confiança na linguagem. Com o tempo, começa a completar frases, a imitar expressões e até a ‘contar’ a história por si própria”, reforça.

É neste momento que a linguagem está verdadeiramente a crescer. A repetição traz previsibilidade, segurança e domínio — três elementos fundamentais para o desenvolvimento da comunicação. Cada nova leitura não é igual à anterior: é uma oportunidade de aprofundar, consolidar e expandir competências.

O projeto reforça também a importância do envolvimento familiar. Quando os pais participam ativamente na leitura, fazem perguntas, escutam, dão tempo e validam as respostas da criança, estão a potenciar de forma significativa o impacto destes momentos. A leitura em casa, integrada nas rotinas diárias, cria continuidade, reforça aprendizagens e fortalece os laços emocionais entre pais e filhos. Mais do que ensinar palavras, estes momentos constroem a relação.

Num tempo marcado por rotinas aceleradas e pela presença constante de ecrãs, parar para ler torna-se um gesto ainda mais relevante. Desligar, sentar, partilhar um livro e estar presente é, muitas vezes, o estímulo mais poderoso que podemos oferecer a uma criança.

Cinco dicas práticas e terapêuticas para explorar os livros com crianças

  1. Não leia… converse sobre o livro: O livro é apenas o ponto de partida. Faça perguntas, comente as imagens, peça opinião: “O que achas que vai acontecer?” “Onde está o gato?”. Isto estimula a linguagem, a compreensão e a interação.
  2. Explore as imagens antes das palavras: Especialmente com crianças mais pequenas. Apontar, nomear e descrever imagens ajuda a construir vocabulário e atenção conjunta. A linguagem começa muito antes da leitura formal.
  3. Repita a mesma história (sem culpa!): Se a criança pede a mesma história todos os dias… ótimo sinal! A repetição permite consolidar vocabulário, antecipar linguagem, ganhar confiança e começar a “contar” a história. É assim que a linguagem se estrutura.
  4. Dê tempo para a criança participar: Evite fazer tudo sozinho. Pare, espere, olhe… e deixe espaço para a criança responder, apontar ou completar. A comunicação precisa de tempo, não de pressa.
  5. Torne a leitura um momento de ligação: Mais importante do que “ler bem” é estar presente. Ler no colo, rir, repetir, usar entoação… tudo isso cria vínculo emocional, base essencial para a comunicação. A linguagem cresce onde existe relação.

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