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Jogos Online: Perigo Obscuro

Os seus filhos estão no quarto, seguros entre quatro paredes. Ou, pelo menos, assim o pensa. Mas será? Que perigos esconde o mundo online e, em concreto, os jogos de que tanto gostam? Ana França conhece-os de perto, pois viveu-os na primeira pessoa. Quando se apercebeu que o filho mais velho estava a ser vítima de um esquema online, avançou para a Polícia Judiciária com o caso. Foi há um mês. A ferida continua aberta e as consequências bem visíveis…

O TESTEMUNHO, NA PRIMEIRA PESSOA:

“Sou mãe de dois filhos. O meu filho mais velho, o António, tem 15 anos e é uma criança especial, no espectro do autismo. Sempre fui uma mãe muito presente, atenta e próxima. Sempre houve regras, supervisão, diálogo e controlo parental.

O pai dos meus filhos, apesar de já não ser meu marido, sempre esteve igualmente presente e alinhado comigo em tudo o que diz respeito à proteção deles. Talvez seja, precisamente, por isso que sinto que esta história precisa de ser contada com tanta frontalidade: porque isto não acontece apenas aos outros. Pode acontecer dentro de qualquer casa. Mesmo dentro de famílias atentas, cuidadoras e presentes.

Tudo começou de forma aparentemente inocente, através de um jogo online usado diariamente por milhares de crianças e adolescentes. Para nós, como para tantos pais, parecia um espaço relativamente inofensivo, controlado e, até, familiar. Havia nomes conhecidos, rotinas aparentemente normais e uma sensação de segurança que nunca me fez acreditar que algo desta dimensão pudesse estar a acontecer.

Mas o verdadeiro perigo não chega com um rosto evidente.

Não bate à porta.

Não se anuncia.

Entra em silêncio.

Disfarçado de amizade.

De confiança.

De proximidade.

De normalidade.

Aquilo que começou dentro de um ambiente de jogo passou, mais tarde, para uma plataforma de comunicação mais privada, onde a ligação se tornou progressivamente mais próxima, mais emocional e mais difícil de controlar. Foi aí que tudo mudou…”

A PERCEÇÃO DE QUE ALGO ESTAVA ERRADO…

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