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Prepare o primeiro mês de vida do seu bebé

Ana Domingos, enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica, deixa-lhe uma checklist para receber o seu bebé.

A chegada de um bebé é, sem dúvida, mágica. Quando, finalmente, o conhecemos e podemos trazê-lo para casa. Apesar desta ser uma fase muito esperada, é também uma altura particularmente desafiante para os pais — principalmente os de primeira viagem — durante as primeiras semanas. Surgem dúvidas, cansaço, emoções intensas e a sensação constante de tentar perceber um bebé que ainda se está a conhecer.

No primeiro mês, há coisas fundamentais a tratar e é normal que, no meio do cansaço e da adaptação, pareça muita informação ao mesmo tempo. Mas, se já souber previamente, será mais fácil gerir no momento. Para se poder preparar, Ana Domingos, enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica, partilha uma lista com o que é mesmo importante.

Ana Domingos, enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica

“O primeiro mês de vida de um bebé é feito de tentativas, observação e descoberta. Aprender o que significa cada choro, perceber os sinais de fome, distinguir o que acalma o bebé ou simplesmente ganhar confiança, leva tempo. E isso é normal. O primeiro mês é muito sobre conhecer o bebé, mas também sobre os pais se conhecerem nesta nova versão de si próprios. Muitas vezes, aquilo que os pais mais precisam não são respostas perfeitas, mas sim a validação de que estão a fazer um bom trabalho”, reforça Ana Domingos.

Sete coisas importantes para receber o seu bebé:

1| Registar o bebé e tratar das primeiras burocracias

Nas primeiras semanas, é importante garantir:

  • Registo do nascimento do bebé e o cartão de cidadão (muitas vezes feito ainda na maternidade);
  • Inscrever o bebé no Centro de Saúde;
  • Comunicar à entidade empregadora;
  • Pedir o subsídio parental;
  • Pedir o abono de família.

2| Teste do pezinho

Um dos momentos mais importantes da primeira semana é o chamado teste do pezinho, normalmente realizado entre o terceiro e o sexto dia de vida. Este exame permite rastrear várias doenças raras e metabólicas de forma precoce, possibilitando tratamento atempado caso seja necessário. Além do teste do pezinho, é também habitual nesta altura pesar o bebé, perceber como está a correr a alimentação e esclarecer dúvidas dos pais

3| A chegada a casa

Chegar a casa com um bebé e perceber que, de repente, já não há campainhas do hospital, profissionais por perto ou alguém a confirmar se está tudo bem, pode ser muito desafiante. Ter apoio nesta fase faz toda a diferença. Sobretudo nos primeiros dias, quando surgem dúvidas sobre alimentação, recuperação da mãe, choro do bebé ou simplesmente a necessidade de alguém validar que está tudo a correr dentro do esperado. Ter acompanhamento especializado no pós-parto, seja através do centro de saúde, consultas ou apoio domiciliário, pode trazer tranquilidade numa fase em que tudo ainda parece muito novo.

As primeiras semanas são sobretudo um período de adaptação a novas rotinas, ao ritmo do bebé, a noites mais interrompidas e a uma nova dinâmica familiar.

4| Primeiras consultas

A primeira consulta com o pediatra deve ser realizada entre a primeira e a segunda semana de vida.  Nas primeiras semanas existe habitualmente acompanhamento do recém-nascido para:

  • Avaliar o crescimento do bebé – peso, comprimento, perímetro cefálico;
  • Realizar um exame físico detalhado;
  • Avaliar a adaptação à alimentação e apoiar;
  • Agendamento das próximas consultas e vacinas.

É importante realçar que as primeiras consultas servem também para os pais fazerem perguntas. Haver dúvidas nesta fase não só é normal, como esperado, por isso levem todas as dúvidas para as consultas.

5| Alimentação do bebé

Uma das maiores dúvidas das primeiras semanas é quase sempre a alimentação. Seja amamentação ou outro método de alimentação, o mais importante é estar atenta(o) a sinais de fome do bebé, se está a fazer chichi regularmente, ao ganho de peso e ao comportamento geral do bebé.

Sinais tranquilizadores nas primeiras semanas do bebé:

  • Se faz chichi regularmente;
  • Vai recuperando/ganhando peso;
  • Parece satisfeito após as mamadas;
  • Mantém-se desperto e responsivo nos momentos em que está acordado.

Muitas vezes, o problema na amamentação não é falta de leite… é falta de apoio e informação.

6| Pedir ajuda cedo faz diferença (especialmente na amamentação)

Muitas famílias esperam demasiado tempo para pedir ajuda, sobretudo quando surgem dores, dúvidas ou insegurança na alimentação do bebé. Nas primeiras semanas, pequenas orientações podem fazer uma enorme diferença.

Por exemplo, quando existe:

  •  Dor persistente ao amamentar;
  • Dúvidas sobre pega ou posicionamento;
  • Bebé muito sonolento;
  • Dificuldade no ganho de peso;
  • Insegurança em perceber se o bebé está a alimentar-se bem.

Em alguns casos, o apoio especializado no domicílio pode ser particularmente útil, permitindo acompanhar o bebé e a recuperação da mãe, esclarecer dúvidas e ajustar pequenas coisas que fazem toda a diferença, tudo no conforto de sua casa.

7| A recuperação da mãe é a parte mais esquecida do pós-parto

Há uma enorme preparação para o nascimento do bebé, mas ainda pouca preparação para aquilo que acontece ao corpo e às emoções da mulher depois do parto.

A recuperação no pós-parto pode trazer:

  • Dores e desconforto físico;
  • Recuperação do períneo ou da cicatriz da cesariana;
  • Sangramento (lóquios);
  • Privação de sono;
  • Oscilações hormonais;
  • Emoções intensas.

E é aqui que muitas mulheres são apanhadas de surpresa. Porque, enquanto toda a atenção está centrada no bebé, muitas mães acabam por sentir que têm de “aguentar”. Mas cuidar da mãe não é um extra. É essencial. Quando nasce um bebé, nasce também uma mãe e ela também precisa de cuidado.

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