[wlm_register_Passatempos]
Siga-nos
Topo

Mais de metade dos portugueses admite que falta afeto nas suas relações

Segundo o estudo “Os portugueses e os seus afetos: será que nos entendemos?”, muitos portugueses desejam relações mais próximas e afetivas

Nos tempos que correm, parece que temos mais dificuldades em expressar claramente os nossos afetos. Não porque estejamos menos afetuosos, mas porque, entre rotinas intensas, prioridades fragmentadas e novas formas de ligação, torna-se fácil deixar de mostrar o que sentimos. É neste contexto que surge o primeiro estudo científico sobre afetos em Portugal, que procura compreender como as pessoas vivem, expressam e valorizam os afetos nos dias de hoje.

Promovido pela Mimosa e realizado pela Return On Ideas (ROI), com curadoria de Daniel Sampaio, professor catedrático jubilado de Psiquiatria e Saúde Mental, o estudo “Os portugueses e os seus afetos: será que nos entendemos?” revela que muitos portugueses desejam relações mais próximas e afetivas, mas reconhecem grande dificuldade em expressar o que sentem. Olhando para os números: 48% reconhecem que poderiam ser mais afetuosos com as pessoas de quem gostam, revelando falta de ferramentas; mais de 60% dos inquiridos afirma sentir hoje menos empatia nas relações do que há cinco ou dez anos; e 62% considera que a importância dos afetos continua subvalorizada.

No seio familiar, o desejo de aproximação convive com barreiras: 44% refere alguém próximo com quem gostaria de fortalecer a ligação, enquanto 70% admite que, no seu círculo familiar, há relações em que os afetos não são plenamente vividos. Nas relações amorosas, a dificuldade em comunicar diretamente desconfortos intensifica frustrações, sobretudo entre as mulheres.

A investigação aponta ainda a adolescência como uma fase de particular tensão afetiva. Segundo o estudo, três em cada quatro portugueses (75%) admitem já ter passado por períodos de menor disponibilidade emocional, com 37% a identificar a adolescência como um desses momentos, acentuado por novas dinâmicas tecnológicas e por “gramáticas afetivas” que pais e filhos nem sempre compreendem.

Em contraponto, crianças e avós emergem como polos onde os afetos circulam livremente: afeto simples, imediato e recíproco nas crianças; “amor desarmado”, ternura e sentido de pertença nos avós.

A alimentação surge como um veículo privilegiado para reforçar laços e desbloquear a comunicação emocional: preparar um lanche, partilhar ou cozinhar em conjunto é percecionado como um gesto que aproxima, permite a escuta e gera momentos de cuidado. Quarenta e um por cento dos portugueses associa sabores ou alimentos a memórias e afetos fortes; 33% diz que, através da alimentação, consegue exprimir sentimentos difíceis de verbalizar; e 58% reconhece que cozinhar com alguém é um momento de profunda conexão. O pequeno-almoço em família ou preparar uma lancheira com carinho e com a participação dos filhos são, por isso, oportunidades tangíveis de presença e escuta.

“A alimentação é uma linguagem afetiva universal e um veículo privilegiado para a expressão de afetos, e esse é o nosso território natural. Um gesto simples — preparar, partilhar, cozinhar — pode abrir espaço para conversas, escuta e proximidade. Precisamos de descomplicar o mimo, essa é a verdade”, afirma Beatriz Andrade Ferreira, Senior Brand Manager da Mimosa.

Concluímos, com base nos números, que falar de afetos hoje não só é pertinente como necessário. O que está em jogo não é apenas o bem-estar individual, mas também a coesão social. Este estudo mostra que os afetos estão presentes, mas há espaço para serem mais plenamente vividos.

Veja mais em Sociedade

PUB


LuxWOMAN