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A praga dos Filhos da Mãe

Maio é o mês do Dia da Mãe e se há tema tabu na nossa cultura é o desequilíbrio materno, isto é, o facto de lá por um útero funcionar não se conjecturar a possibilidade de existirem problemas de personalidade da pessoa que não evaporam simplesmente pela ocorrência de ter dado à luz alguém.

O mundo inventou que a mãe é perfeita e este é um bicudo tabu, de resto, como futebol, política ou religião. Mas como gosto de fazer provocações habituais, lá vou eu aventurar-me neste tema.

As mulheres problemáticas não se transformam em santas ao se tornarem mães, pelo contrário, aumentam o nível de responsabilidade e de pressão que pode incitar um maior grau do problema.

Há poucas coisas na vida que me causam tanto dó como ver aqueles pessoas que são dependentes emocionais da mãe. E elas pululam por aí como cogumelos ou não fossem uma verdadeira praga, na verdade umas pestes: os filhinhos da mãe.

Sabe o tipo de homem que se acha o máximo da liberdade, autonomia, vida plena e cheia de sucesso? Quando o encontramos tem sempre uma história gira para contar, é simpático e cheio de charme, mas a dada altura lança no meio da frase algo como “a minha mãe sempre diz que…” Para tudo! A minha mãe? Sempre diz? Que?!? Mas quem está interessado(a) no que a sua mãe diz?

A sério que temos que o ouvir citar a mãe como se estivesse a citar o Gandhi ou a Clarice Lispector?

(Adenda: mães de toda a estratosfera latina não me roguem pragas, nada contra as senhoras, adoro mães, amo a minha mãe, inclusive eu mesma sou mãe, mas quando V. Exas. são a referência máxima do que um homem pode pensar e sentir, algo está errado. Fecha parêntesis).

A praga dos filhos da mãe é por si uma maldição auto-profética uma vez que este tipo de homens adora dizer que “praga de mãe pega”, que é bom dizer sempre “sim” a tudo o que a velhota tem a dizer e que não sabe dizer-lhe “não”. Ele acredita que a sua mãe é uma fonte de sapiência irrestrita e que tem o dom de prever o futuro, acreditando que nunca poderá haver na vida alguém mais confiável e digna de o conhecer ou cuidar dele do que a querida mamã, mantendo-se controlado por ela.

E eis aqui o sinal mais perigoso que vejo nestes casos: eles não têm limites com a mãe e costumam mudar toda a sua rota de vida pelos desejos daquela mulher que acredita ser a dona da vida do filho.

Não apenas isso. É extremamente comum (em consultório, vê-se com muita frequência) as “santas mães” que transferem todas as suas carências como mulheres, como “fêmeas” mesmo, para o filho. Sim, perante a ausência de uma relação afectiva de conexões emocionais satisfatórias, suficientemente nutridoras com o esposo, a mãe alapa-se aos filhos, ao filho ou mesmo à filha (quem esteja mais à mão) e faz dele(a) um seu “ marido” postiço. Então, todas aquelas insatisfações, frustrações, ausências, enfim, tudo o que ela não conseguiu obter do marido são deslocadas de forma compensatória para o(a)s filho(a)s, educando-os para ficar(em) ele(a)s a cuidar dela, a dar-lhe suprimento emocional, a preencher os seus vazios afectivos ou existenciais. Ela fixa-se obsessivamente nele(a)s, e demanda-lhes atenção infinita e passa a viver para (e através) (d)ele(a)s.

A nossa sociedade não questiona certos comportamentos, bem pelo contrário, romantiza-os e ao ouvir da boca de uma senhora santa mãe algo do tipo “o meu filho é tudo para mim / a luz dos meus olhos / a razão da minha vida” acha tudo muito bonito, sem suspeitar dos quadros psicopatológicos que frequentemente encontramos por detrás desse tipo de posições.

A relação entre uma mãe e um filho é, como se convencionou dizer, a mais forte de todas. A maioria das pessoas não hesita em confirmar, afinal, o amor de mãe é “incondicional”. No entanto, pelo que observamos em consultório e na vida real, este “amor” em alguns casos é tão grande, para não dizer exagerado/abusivo, que muitas vezes as mães excedem-se e podem acabar por prejudicar o desenvolvimento do(s) filho(s). E isto porquê?

Porque existe um limiar subtil entre aquilo que certas mães entendem como “amor” e aquilo que elas podem experimentar como uma relação de posse face aos filhos. A nossa cultura latina tem uma tendência, de uma maneira geral, para as mães serem mais “aficionadas” nos filhos. Desde cedo, e por motivos “simbióticos”,  viscerais, diria mesmo, a mulher/mãe (particularmente a mãe) vai criando aquela imagem do filho(a) como ele sendo uma extensão “natural” de si mesma. Afinal, o filho está dentro de “mim”, é “meu”, “eu” criei. Sim, o abandono e desresponsabilização paternos ajudam à festa, como veremos adiante. Mesmo até havendo um pai por perto, muitas vezes, estas mães “esquecem-se” de permitir a participação desse pai, e então, deixa-o de escanteio e toma o filho como usufruto para a vida inteira.

E é aí que começam os problemas. Aquela mãe que, em tese, queria proteger, simplesmente não sabe lidar quando ele (tipicamente mais na fase da adolescência) manifesta uma vontade própria que vá além dos limites do quintal da casa.

E “ó da guarda” se isso acontece. Aí é que a mamã “tá on” e perde o pé, afinal, geralmente elas usam o facto de terem criado os seus filhos como uma dívida eterna que exige obediência total. Então, e quando o menino chega a encantar-se por alguma outra menina? Isso traz ainda uma outra nuance, dado que não raras vezes representa para estas mães a ‘intromissão’ de uma outra fêmea da espécie na contenda de competir com ela. Chega a ser enlouquecedor para muitas, pois se têm esse nível de posse costumam criar uma espécie de pacto quase que “matrimonial” com o seu menino-homem. Depois que ele cresce e vai buscar as mulheres da vida dele, nenhuma serve.

Eu repito: para este filho da mãe nenhuma mulher serve (ou servirá).

Quando namora é um desastre para a namorada, pois tudo é decidido depois do aval da mãe. “Sabes como é que é, a minha mãe pediu-me para ir lá almoçar, e não posso recusar, né?”. Nos casos mais graves, a mãezinha santa chega a fingir que está a passar mal, arranja um chilique ou somatiza se o filho sai de casa para ir ter com outra mulher. “Não gosto dessa rapariga com quem sais, meu filho!” E o que é que ele faz? Termina o relacionamento. E, provavelmente, seria esta a mulher que iria fazê-lo ter uma vida mais independente da mãe e com pensamento próprio.

Este é outro sinal destas mães que “amam demais” e dos respectivos filhos da mãe. Estas implicam com todas as namoradinhas do filho. Nunca irão admitir, mas o que estas mães sentem é que essas pretendentes estão a ocupar um espaço que, em tese, é única e exclusivamente seu: o coração (e a mente) daquele homem/rapaz.

Eles costumam tornar-se nos famosos Don Juan, cheios de charme e lábia. Saltitam de mulher em mulher, o envolvimento é casual e nunca chegam a entregar-se inteiramente a uma relação. Seduzem muitas mulheres e prometem mundos e fundos, mas na hora “H” desaparecem ou não cumprem nada.

Além disso, costumam ser egoístas e ter pouco espírito cooperativo, pensam em si mesmos antes dos outros (se é que se lembram dos outros).

Estas mães costumam projectar na imagem do filho o homem perfeito (que o marido oficial, o pai dele, aos seus olhos, “não é”, de forma geral) e começam a criá-lo como se fosse um pequeno imperador cheio de privilégios e nenhum desagrado. É uma mãe que vive para a sua cria e costuma tratá-la na infância como um bibelô. Ela é uma criadora de homens machistas e dominadores que não aceitam ser contrariados. Venera o filho e diz que o conhece como ninguém e acha sempre que ninguém irá cuidar dele como ela faz. Nem preciso dizer que ela não dorme enquanto ele não dá sinal de vida (os telemóveis, pela vida fora, transformam-se em GPS de localização).

Este é um tipo de relação de poder, tóxica, na medida em que estas mães não percepcionam os filhos tal como eles são (pessoas supostamente “diferenciadas” delas mesmas), mas sim o que estes filhos representam para elas. Também se “esquecem”, estas senhoras, que este filho é um ser humano antes de tudo. “Filho” é só um dos papéis que ele tem na vida. Ele é também aluno, amigo, irmão, filho do pai dele (que por acaso ela escolheu para ter como parceiro), portanto, apesar de serem múltiplos os papéis, a mãe reduz estas crianças, meninos, rapazes, homens à categoria “filho”.

Mas, filhos, vocês não precisam servir apenas para regular o senso de auto-estima das vossas mães.

Bom, então e o que é que poderia recomendar-se a uma mãe de filhinho não cair nessa armadilha da posse?

Entendo que o primeiro ponto seria esta mãe cultivar uma relação saudável com o seu parceiro afectivo. Porque, antes de o filho nascer, ela já vivia e existia por si mesma, certo? Aquela criança, na verdade, deveria apenas acrescentar uma felicidade na vida dela, mas antes de a criança vir ao mundo ela já era uma pessoa – em teoria – plena, realizada, que sabia fazer as próprias escolhas. Porque raio ela vai entrar naquele delírio pessoal de que depois que a criança nasce já não vive mais sem o filho? Não faz sentido. Afinal, quem é que ela escolheu para estar do seu lado? O marido (o “oficial”, pelo menos), o parceiro. Então, essa seria a relação principal que ela deveria cultivar. A criança seria um acrescento a isso.

Para estas mulheres, ter uma vida pessoal rica, gratificante, com outros papéis e actividades particulares que não se restrinjam ao universo da criança já seria um bom começo.

Pense na relação de um pai ou mãe com um filho/filha já adulto. Certamente não é uma relação de adulto-adulto, no sentido de “equiparados”. Isto é, é algo que simula isso, mas vem da ordem de adulto-criança. Mesmo que os dois lados relutem e se debatam nessa ideia, o ponto é que por mais adultos que até sejam, para os pais os filhos sempre serão crianças frágeis ou indefesas. Afinal, os pais são os pais e os filhos são os seus filhos…

Este tipo de estrutura relacional pode criar debilidades subtis na maneira de actuar no mundo, de uma forma geral. É como se fosse um hábito psicológico condicionado (um vício, em muitos casos) de subconscientemente já esperarem que as pessoas lhe ofereçam sempre algo de especial e privilegiado a elas pelo simples facto de existirem.

Acostumados a que a mãe simplesmente adivinhasse quando ele ou ela fez cocó e a fralda está suja, os filhos da mãe pensam que todos (sejam pessoas, ou instituições) são assim. Costumam achar que pelo simples facto de terem pensado ou desejado algo, a outra pessoa tem a obrigação de adivinhar e fazer. Mas se alguém consegue esse prodígio, nunca é o suficiente, pois não foi exactamente do jeitinho que o bebé queria (nem ele sabe bem o que quer).

Os adultos conseguem perguntar-se a si mesmos o que querem da vida. E como consequência, aprendem a pedir educadamente, desatados do resultado, afinal de contas ninguém é seu escravo. Em última instância, sabem negociar condições para que todos saiam a ganhar.

No mundo dos adultos, um relacionamento amoroso é de outra ordem, parece-se mais com um empreendimento onde não há garantias, é preciso algum investimento inicial, dedicação contínua, análise de resultados, trocas de experiências, feedbacks e quase não tiramos férias, afinal não podemos deitar-nos à sombra da bananeira num cenário onde não há certezas e a variação de mercado é uma constante.

Uma pessoa excessivamente habituada aos “mimos” da sua relação com os pais dificilmente consegue adaptar-se a uma relação amorosa, em que à partida é esperado que haja um dar e um receber, numa relação de mão dupla, de co-responsabilidade afectiva e parceria. Se vai para uma relação e espera as mesmas coisas ou oferece o mesmo desempenho que tem com os progenitores, é difícil (para não dizer impossível) criar as bases saudáveis de um relacionamento com reciprocidade, ou seja, adulto.

Noutras palavras, uma pessoa que efectivamente passou da fase infantil para a fase adulta é aquela que adquiriu a capacidade de tomar conta da própria vida, de responsabilizar-se por si própria e por aqueles que realmente precisam dela.

Na nossa cultura, a figura da “mãe santa” é quase inquestionável, e é raro abrirem-se espaços para este tipo de discussão. Geralmente, estas mães estão identificadas única e exclusivamente com esse papel, parece que se alimentam dessa relação como se fosse a única. Se ela tivesse outras fontes de satisfação, provavelmente sofreria (e faria sofrer) menos quando o filho comete o “crime” de crescer (se conseguir). A famosa “síndrome do ninho vazio” é isto mesmo: aquilo que deveria ser motivo de realização (afinal a boa mãe é a mãe que, progressivamente, se vai tornando ‘desnecessária’, pois os filhos aprenderam o que ela ensinou, a autonomizar-se, a saber cuidar de si próprios e a estruturar a própria vida) é afinal motivo de (secreto) dissabor.

Tudo isto explica, mas não justifica, a devastação emocional causada naquela criança que quando se torna adulta começa a sentir as sequelas de uma educação recheada de contradições, chantagens emocionais, medos, conluios doentios, prisões psicológicas, frustrações e golpes.

Um segredo que provavelmente não sabe é que esta é uma problemática muito mais comum do que se possa imaginar. E digo mais: a maior parte dos “bad boys”, dos narcisos de plantão e dos “sacanas sem lei” têm mães super-protectoras. Na fantasia inconsciente deles, continuarão a ser o “reizinho” simbólico da mamã.

Eles têm uma relação com uma mulher (a mãe) que é no inconsciente deles quase que suprema, um ícone a idolatrar. Então, como poderia ele ter a “autorização”, a necessidade ou sequer o direito de escolher uma outra mulher “mais-ou-menos” para ocupar este pedestal? Esta é uma raiz importante da clássica separação entre “amor” e “sexo” que muitos homens fazem. Ter uma mulher para casar, outra para amantizar. Usufrui das mulheres que quer, sexualmente, mas sabe que o seu “porto seguro” emocional é uma só: a mamã.

Os filhos da mãe vêm na mãe a sua BFF, são permissivos com as intrusões dela (mesmo que consiga a proeza de se casar ou ter alguma parceira afectiva). Uma outra característica frequente nestes filhinhos da mãe é o de não quererem resolver questões práticas da vida, pois é como se internamente eles fossem o tipo de personalidade que fica sempre à espera dos outros (da mãe) para tratar das coisas – até porque normalmente estes filhos têm uma mãe-helicóptero super ‘resolvedora’ de tudo.

Estes filhos da mãe costumam ser ociosos, espaçosos, preguiçosos e mandões, raramente levam alguma coisa que comecem adiante porque eles aborrecem-se e entediam-se facilmente com tudo. Em alguns casos, costumam ter condutas desviantes, ser consumidores de álcool, drogas, afinal, o mundo pertence-lhes e não lhes acontecerá nada (sentem que têm poderes especiais e que são invencíveis), por isso os comportamentos de risco, perigosos e mesmo a criminalidade são saídas habituais para estes filhos da mãe.

Apesar de carismático (nem sempre, pode ser deprimido), uma vez contrariado (tudo o contraria) o filho da mãe pode mostrar-se a pessoa mais detestável e insuportável à face da Terra. A acrescer, algumas pessoas criadas assim sofrem de saúde debilitada e doenças auto-imunes.

A ignorância sobre as questões do abuso narcísico, transtornos de personalidade e sistemas familiares tóxicos; a incapacidade de entender que as pessoas com sérios transtornos mentais têm filhos levam muito(a)s de nós a insuspeitar de formas de trauma de desenvolvimento que tomamos, na nossa sociedade, como “normais”. A crença de que a família é sempre um porto seguro que nunca devemos questionar o vínculo (por mais doentio que seja), mantendo-o a todo o custo, cria problemas graves para as pessoas e para as comunidades que no fundo são problemas sérios de inadaptação, de desajuste, que propicia desarranjos e desordens de variada natureza.

Sei que muitas vezes é difícil afastar-se da interferência excessiva dos pais na nossa vida. Nem sempre conseguimos priorizar o nosso bem-estar. Para isso precisamos de recursos internos como a clareza, confiança, auto-estima, limites e auto-cuidado. Aliás, quando somos adultos, às vezes, até pode acontecer que, para nos conhecermos a nós mesmos, sintamos necessidade de estar longe dos nossos pais. Longe da forma como eles olham para nós, longe das opiniões deles, das cobranças, das expectativas, dos juízos de valor, do que eles acham ou deixam de achar, do que eles sentem ou deixam de sentir.

Sugestões desalinhadas, rasas ou sem nenhuma adequação real com a situação (“mãe é mãe”, “a família é tudo”) fazem com que as pessoas em geral não estejam preparadas para reconhecer e lidar com este tipo de problemáticas quando aparecem. Com isso, as pessoas imaturas  – ou os filhos da mãe, como lhes chamo  – permanecem na dúvida, na ansiedade, na angústia, acumulando mais problemas, inquietações, preocupações, agressões.

Por isso é que um processo de auto-conhecimento é essencial para o desenvolvimento da maturidade psicológica e emocional. É através dele que conseguiremos observar as nossas dificuldades com outros olhos, de forma clara, objectiva e assertiva, possibilitando enfrentar os problemas, aceitar a realidade sem sofrer ou fazer sofrer desnecessariamente e, mais do que isso, transformá-la positivamente, de acordo com o que pretendermos alcançar nesse sentido.

Dizer que “os meus filhos são a minha vida” ou “eu vivo em função dos meus filhos”. é uma pressão gigante para os filhos porque vão sentir que não podem viver livremente.

Sermos a vida de alguém ou ter alguém que vive em nossa função é um peso, uma preocupação. Esta é uma forma (culturalmente aceite, incentivada e até aplaudida) dos pais fugirem da responsabilidade das suas próprias vidas: os filhos são o álibi perfeito para estes pais ou mães evitarem cuidar de si mesmos. E a verdade é que não o fazem exactamente pelos filhos, mas pelo medo que têm de olhar, com coragem, para as suas próprias questões internas – aquilo que há para ser visto, ouvido e tratado.

Como mãe, tudo o que faço ou farei pelos meus filhos não é uma coisa que eles tenham de me pagar mais tarde. É uma coisa que faço porque decidi ter filhos. Sou mãe dos meus filhos, decidi ter filhos, mas eles não. Assim, se um dia decidirem ter filhos, cuidam deles. É a lei da vida.

Ser mãe oferece-nos uma lição de humildade, desenvolvimento e de superação constante. É saber que não estamos a criar filhos para nós mesmas (nem para colmatar a nossa solidão ou carências emocionais), mas para o mundo. É dar, dar e dar a fundo perdido e aguentar isso com dignidade, sem historinhas nem histerias, é saber que se as coisas seguirem o fluxo natural, o que damos nunca vai ser compensado, não tem forma de o ser, nem é suposto que o seja.

A compensação já acontece sozinha (e em dobro ou triplo), se soubermos saborear e reconhecer a bênção que é dar vida e vê-la crescer saudavelmente. O não entendimento disto cria equívocos, ressentimentos, ofensas, vidas presas e empatadas em dramas como estes.

Aos meus queridos filhos, coração ao alto, lhes digo: sintam-se livres para viverem a vossa vida sem pesos ou culpas. Mal de mim se um dia vos passar esse tipo de preocupações. Fiquem descansados em relação a mim: eu não me abandono e a minha tristeza ou não tristeza não depende exclusivamente de vocês. E se depender, o problema não é vosso, é meu, que desisti de mim, deixando que a minha vida e paz dependessem dos outros. Então, terei de olhar para isso dentro de mim e curar.

E sabem que mais? Por estas e por outras é que dizemos que o melhor que uma mãe pode fazer por um filho é cuidar de si mesma.

Sara Ferreira

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